
“… Responsabilidade é o que esperamos dos outros…”
– Oscar Wilde
Responsabilidade é a palavra quente para muita gente, aliás é a palavra que ferve e vemos a maior parte das pessoas tenta-la rapidamente passar para outras mãos tal e qual o jogo da batata quente – “toma agora é tua”, enquanto sacodem as mãos para não ficarem com dói dói.
É muito fácil exigir dos outros responsabilidades ou a falta delas.
E na maioria somos todos óptimos a apontar dedos para rapidamente libertamos a tensão de um sentido de justiça auto-intitulado que todos temos, daquilo que achamos que deve ser ou deveria ser.
É fácil pedir satisfações pelas chamadas não feitas, ou os e-mails não enviados, ou pelos atrasos ou as faltas, assim como pelo esquecimento ou desleixo de outros…
Mas quando é connosco, sim com nós próprios parece que nos esquecemos de exigir a nossa responsabilidade quando falhamos.
E é disto que escreverei hoje, a nossa responsabilidade, a responsabilidade pessoal, a autoresponsabilização.
Acredito que a responsabilidade pessoal é o primeiro passo para tomarmos controlo e poder nas nossas vidas. Independentemente de credo, religião, género ou raça, tomar responsabilidade é o primeiro passo no caminho incrível de crescimento pessoal e empoderamento.
Quero dizer com isto que não estou ciente das dificuldades de outros? de traumas infelizes e marcantes? Ou que não reconheço que existem preconceitos e situações muito infortunadas?
Nada disso, nem é no que eu acredito. Sei bem e estou familiarizado com a maldade ou lado menos bom dos seres humanos uns para com os outros.
No entanto o que dizer aos atletas para-olímpicos? ou às pessoas que outrora sofreram às mãos dos outros e hoje são um exemplo e inspiração de amor, afecto, sucesso ou de pura superação?
Vamos dizer-lhes que não deviam assumir responsabilidade e superar as suas desvantagens e assim continuar a brilhar apesar das suas circunstâncias passadas menos felizes?
Que tipo de monstro seriamos ao fazê-lo? Um monstro horrendo sem dúvida, na minha opinião.
São nestas pessoas que penso sempre que oiço alguém a queixar-se, a reclamar ou com mágoas por assuntos tão mundanos como uma unha partida.
Essas mesmas pessoas que se queixam por tudo e por nada, e reclamam e acham que estão no direito de expor a sua verdade perante dos outros, raramente ou arrisco-me a dizer que nunca fizeram o mesmo consigo mesmas.
Imaginem estas pessoas olharem no espelho e serem consigo o que são com os outros, a exigir mais e melhor, mais energia mais qualidade melhor serviço ou produto… Que melhor mundo seria se assim o fosse.
“Responsabilidade é o preço da grandeza”
– Winston Churchill
Não querendo fugir ao tema, o foco aqui não é como os outros deveriam ser, mas sim como nós podemos ser.
E responsabilidade pessoal irá abrir mais portas que qualquer licenciatura, qualquer curso, ou mesmo até que qualquer cunha.
Penso que um bom exemplo disto é a do jogador que quer a bola quando o jogo está na linha. Enquanto os outros tremem um pouco e ficam a pensar se forem eles a falhar ou a fazer borrada e consequentemente dão o jogo a perder. Mas o jogador que quer a bola também treme, também sabe que pode falhar e fazer a equipa perder o jogo. Mas no entanto ele assume o jogo ou por outras palavras ele assume a responsabilidade, pois vencendo ou perdendo ele é capaz (e quer) assumir a responsabilidade.
Assumir a responsabilidade para o que der e vier… quão libertador é essa sensação…
O mesmo se vê numa forma menos elogiada e reconhecida hoje em dia com polícias, bombeiros, militares ou qualquer pessoa que regularmente põe em risco a sua segurança ou vida em prol dos outros.
Este bombeiro ou polícia por exemplo assumiram a responsabilidade de proteger algo maior e ajudar a construir algo maior mesmo que não façam parte disso, ou seja mesmo que percam a vida ou certas capacidades físicas ou mentais.
E muitas vezes esquecemo-nos de agradecer por termos estas pessoas que sem elas a nossa vida estaria perto de um caos.
E o vendedor por exemplo, também não assumiu responsabilidade pessoal? vejamos: Teve de treinar a sua apresentação, teve de trabalhar a sua imagem assim como a sua energia, teve de pôr de lado qualquer problema pessoal que tenha tido pois o cliente não quer saber disso para nada e o produto ou serviço não se vende sem foco na venda do mesmo, teve de enfrentar rejeição vezes e vezes sem conta e ainda assim estar com o sorriso para o próximo cliente…
Podia dar mais exemplos mas dá para perceber a ideia de outra forma de autoresponsabilização.
Ou seja, uma pessoa responsável aceita as consequências das suas acções, decisões ou palavras. Quaisquer que sejam.
Mas vou ainda mais longe ao dizer que uma pessoa responsável aceita as consequências das acções, decisões ou palavras de outras pessoas, especialmente se estiver numa posição de liderança. Mas já lá vamos.
Em contraste de uma pessoa que assume responsabilidade, temos muitas vezes o exemplo dos políticos, ou de pessoas com cargos de importantes a tentarem fugir à justiça depois de terem metido o dedo no bolo sem o terem merecido.
Basta ver um debate ou ligar a TV no parlamento e em 5 minutos temos todo um cenário exemplar de falta de responsabilização pessoal.
Ataques e críticas ao passado, do diz que disse, ou do o partido x y z deveria ter feito, mas a culpa não é sua, e as coisas são como são porque foi o que lá esteve que fez assim e assado… enfim.
E existe uma surpresa enorme aquando de eleições são calculadas taxas de abstenção enormes. E mesmo aí as desculpas são as políticas… do partido x y z…
Não! Não são as políticas per se mas sim a falta de responsabilidade.
Todos nós reconhecemos desculpas quando as ouvimos ou lemos, até podem ser válidas, mas não deixam de ser desculpas… E ninguém respeita ou confia em quem inventa ou dá desculpas! Simples.
Confiarias o teu filho o filha a uma babysitter que não assume responsabilidade? ou a qualquer pessoa que saibas que inventa desculpas para justificar as suas acções ou inações?
Ou o teu mecânico de eleição é aquele inventa desculpas para não ter o carro pronto na data que disse que estaria pronto?
Eu não levaria nenhuma dessas pessoas a sério.
Mas então o que é isso de aceitar as consequências das acções dos outros?
– “Porque haveria de o fazer?” Podes tu perguntar, ou então – “Então porque é que a minha autoresponsabilização engloba outros?”.
São tudo questões válidas. E a resposta é: Que não tens. Não tens nem és obrigado a tal. No entanto quando escrevo não espero chegar a todos ou que todos compreendam.
Mas se queres ser um líder, se queres fazer a diferença e criar sucesso qualquer que seja na tua vida tens de o fazer. Não há outra maneira.
Um líder assume a responsabilidade quando o seu soldado falha, o seu colega de equipa falha ou quando seu filho ou filha falha…
Há muita gente que é moral, e faz as coisas eticamente bem, quer sucesso e procura fazer o bem, no entanto pensam que os resultados aparecem só por si.
Esquecem-se que a autoresponsabilização é uma campanha contínua e existe em tudo o que fazemos.
Basta pensares na tua empresa favorita, ou marca ou pessoa que mais tem impacto em ti e o que tu sentes é confiança, e essa confiança foi ganha graças a todos os movimentos dessa empresa, marca ou pessoa serem executados com total responsabilidade e é por isso que têm a bênção da tua confiança.
O mesmo acontece quando assumes responsabilidade por tudo o que acontece e te certificas que tu és o principal responsável em mudar ou melhorar e sair de onde estás para outro patamar.
Não tenho duvidas em relação ao que me ajudou a tornar a pessoa que sou hoje, e essas dúvidas não existem pois foi através da autoresponsabilização que saí dos momentos mais escuros da minha vida.
Foi quando deixei de culpar os outros ou as circunstâncias que até aquele momento estavam envolvidas na minha vida. Senti um peso enorme a sair dos ombros, deixei de estar tão zangado com o “mundo”, menos revoltado, e uma sensação de calma, e de um entusiasmo sereno difícil de pôr em palavras tomou conta de mim.
Isto não só se aplicou ao mundo físico mas também ao mundo emocional.
Se alguém fazia algo que me magoava emocionalmente eu via a situação como passageira e fortalecedora, pois eu sabia que se isso aconteceu, foi porque eu deixei e então enquanto ser responsável e que queria melhor eu teria de ser responsável também pela minha saúde mental e emocional por conseguinte da maneira que eu cheguei a esse ponto eu também conseguiria sair desse ponto contando somente comigo.
Reclamei o direito de ser responsável pela minha felicidade, pela minha profissão, finanças, crenças pessoais e pela sabedoria ou conhecimento que poderia vir a obter para ser melhor e superar o que quer que se metesse no meu caminho.
E assim foi e tem sido pois não existe só uma coisa, mesmo quando escolhes o caminho poderoso da autoresponsabilização ainda mais obstáculos encontras assim como dificuldades. E o caminho não se torna nunca mais fácil mas és tu que te vais tornando cada vez mais forte, o que te podia atrasar ou fazer perder parte da tua vida deixa de o assim ser.
Existe um poema de William Hernest Henley chamado Invictus.
Este poema podia resumir o que escrevi hoje, mas é como acaba que eu acho particularmente forte quando se fala em responsabilidade pessoal.
Deixo em inglês para não interferir com a origem o último paragrafo:
– “…I am the master of my fate,
I am the captain of my soul.”
Se queres crescimento e verdadeira independência começa por responsabilidade pessoal, se queres que as outras pessoas possam depender de ti assumindo assim uma fase de maturidade bastante desenvolvida sê responsável pela limonada que fazes com os limões que a vida te dá.
Tens de querer a bola quando o jogo está por decidir.
“I’ve slept and dreamt that life was beauty. I woke and saw that life was duty.”
– Louisa May Alcott

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