“Como andas por entre o fogo é o que realmente importa”
– Bukowski

Uma lição que aprendi muito tarde é a de que: Um líder tem de criar o hábito de fazer mais do que aquilo pelo que é pago.
Dependendo dos nossos objectivos pessoais na vida, isto irá fazer menos, mais ou nenhum sentido de todo, portanto obviamente esta mensagem não é para todos, pois nem todos querem desenvolver ou fazer crescer o seu líder interior.
Infelizmente por diversas razões que não vou abordar, culturalmente este pensamento é maioritariamente aceitável, e eu entendo porquê, não concordo mas entendo. Durante muito tempo concordei, era uma pessoa de fazer mínimos a nível profissional – “Se só pagam isto para quê chatear-me?”.
Uma perspectiva vinda de um desenvolvimento mental medíocre incapaz de ver a “big picture” no prisma cósmico do sucesso pessoal.
Agora que penso nisso é irónico naquele tempo ainda me questionar com admiração porque é que não passava da situação em que me encontrava, e porque é que as coisas não me corriam melhor, para além disso ainda reclamava e amaldiçoava as forças do universo que faziam as circunstâncias ditarem os meus resultados.
É especialmente fácil cair na armadilha de fazer o mínimo com o constante bombardeamento de feedback negativo em relação a como vemos o trabalho, ou como vemos os patrões ou chefes, ou até mesmo a economia e desenvolvimento do nosso país. Ficamos presos neste mainstream de ideias de que devia ser assim ou assado, ou que estamos com “azar”, que nascemos assim e assim será, ou que é hereditário não passar da cepa torta, então “para quê esforçar mais?”
Quando comecei a ter a minha primeira experiência profissional em 2009 não estava tão por dentro deste negativismo, mas após alguns meses a ouvir as choradeiras e lamentos dos meus colegas, somando ou que ouvia enquanto crescia comecei a cair na tentação de pensar as mesmas coisas, dizer as mesmas coisas e infelizmente fazer as mesmas coisas.
Depois de nos esforçarmos dia após dia, mês após mês, de darmos o corpo às balas, abdicarmos do nosso tempo pessoal para concretizar um trabalho, acatar as pressões de uma chefia que por sua vez recebe pressões da sua chefia, de chegarmos a casa exaustos com fadiga física e mental a acumula, começamos a questionar o custo benefício das nossas ações e o mais lógico e tentador a fazer é começar a cortar o esforço na nossa área laboral. Eu sei, eu subscrevi a este paradigma.
Então o que mudou?
Eu, eu mudei.
Porquê?
Bem… Se queremos que as coisas mudem nós temos de mudar. É uma das leis incontestáveis do universo, e eu adoro-a pois é algo que podemos controlar. E como qualquer líder sabe, foco no que não controlamos leva à loucura e paranoia.
Comecei a entender o panorama maior, e a minha perspectiva mudou. Eu pensava que ao fazer mais do que me pagavam, estava a ser parvo e idiota, e a deixar o patronato aproveitar-se de mim e do meu esforço, mas não pensei no que me estava a tornar ao aderir a esta mentalidade de fazer somente mínimos, mentalidade essa que como já referi noutros artigos, afecta tudo o resto.
Como fazemos uma coisa é como fazemos tudo, um pequeno desleixo aqui irá levar a outro pequeno desleixo ali, mas o inverso também acontece.
Na realidade fazer mais do qual és pago, vai inequivocamente beneficiar-te mais do que qualquer outra entidade. A tua mentalidade forte irá guiar-te a muito mais longe do que uma mentalidade fraca programada a simplesmente pensar que aparecer já é bom. No mundo adulto e real os troféus por participação são equivalentes a incompetência, ao início pode ser giro mas não demora muito até que essa fantasia cesse e acordarmos com a bota do desemprego, da falência ou da derrota.
Vou pôr em perspectiva os benefícios pessoais a ganhar com a mentalidade fazer mais do que aquilo que somos pagos, especialmente se formos ou quisermos ser líderes eficientes e eficazes:
- Metodologia de melhoramento: Ou fazeres mais do que aquilo que és pago, estás a melhorar as tuas capacidades, estás a tornar-te numa pessoa de melhor valor, e indispensável ao empreendimento no qual estás inserido.
- Mentalidade de gratificação adiada: Estás a treinar o teu cérebro a não agir somente quando tens a cenoura à frente, não procuras o prazer a curto prazo do dinheiro ou da recompensa, e começas a pensar a longo prazo e as recompensas de longo prazo são bem melhores que as de curto prazo.
- Reputação: As pessoas começam a perceber que és uma pessoa com a qual podem contar, não só serás visto como um bem essencial e indispensável, e provavelmente abrirás mais portas e terás mais oportunidades a surgir.
No essencial pensa assim: Mesmo que dês o melhor de ti, e as coisas não funcionem como gostavas, por não seres valorizado ou falharem contigo no que foi prometido, todo o teu trabalho não foi em vão, pois tu cresceste e melhoraste e te tornaste melhor, e se não te deram valor num local, de certo que noutro local serás imprescindível e valorizado de acordo com as tuas capacidades e só por isso essa é a maior vitória, sermos valiosos não por onde nos encontramos mas sim por quem somos.
“O homem tem o dever divino de procurar arduamente pela capacidade máxima, poder e competência na vida”
– Desconhecido
Especialmente enquanto líderes do nosso próprio empreendimento temos obrigatoriamente de ter esta mentalidade, as coisas só irão funcionar se nós virmos ao longe para onde caminhamos, sabendo que pode custar pode até nem ser assim tão divertido no momento mas ao continuarmos iremos chegar onde ambicionamos.
Assim aprendi quando comecei negócios e na minha vida desportiva.
Percebi que não iria existir gratificação instantânea naquilo que eu estaria a fazer no momento, mas levasse o tempo que levasse eu iria lá chegar mesmo quando o retorno material não se manifestava pois o meu objectivo era claro e tinha mentalidade de longo prazo.
Mudas a tua perspectiva mudas o teu resultado, experimenta.

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