Como ganhar respeito

“Pensar é difícil, é por isso que a maioria das pessoas julga”

– Carl Jung

Se a maior parte dos métodos estiver a falhar pode só há uma maneira de manteres ou ganhares o respeito das tuas pessoas.
Justiça.
Qualquer posição de liderança só mantém o respeito da mesma se o líder for justo e tiver um sentido de equidade apurados. Quantas vezes pensaste: – “ah isso não é justo…” certamente tu, eu e a todas a pessoas que estiverem a ler isto, já pensarem isso. E isso acontece quando as regras universais, as regras que são (ou deviam…) ser para todos, afinal são só para alguns.
E enquanto lideres se não tivermos o bom senso, a firmeza e a integridade para aplicar as regras para todos rapidamente perdemos o grupo. Pensamos ao falhar no nosso sentido de justiça que estamos a salvar uma pessoa do grupo por sermos complacentes para com um, mas na realidade estamos a perder o respeito de todos.

Mas esqueçamos liderar outros por agora, e a lideramo-nos somos justos? Agimos de acordo com o que acreditamos, ou deixamos deslizar pela sarjeta da conveniência quando a situação em causa parece assoberbar-nos?
Em que situação deixaste de lado o teu sentido de justiça? Não foste justo contigo ao não agir como sabias que devias… Todos temos memórias de uma determinada altura em que não fomos íntegros em relação ao que acreditamos, e deixámos de lado o que “devia ser” pelo “deixa estar…”, Eu sei que eu tenho…
Não podemos aplicar um sentido de justiça na nossa causa e nos outros, se não formos justos conosco primeiro.

Parece pedir muito? ora vejamos:
– Quando foi a última vez que foste demasiado crítico contigo? Isso é ser justo contigo?
– Quando foi a última vez que quebraste a tua regra? Isso é ser justo contigo?
– Quando foi a última vez que trocaste a vontade de atingir um objectivo por um conforto a curto prazo? Isso é ser justo contigo?

Se te encontras numa posição de liderança e sentes que não consegues aplicar as regras para todos é porque provavelmente não és justo contigo.
Este sentido de justiça e equidade pode vir em diferentes formatos, e aplicado em diferentes contextos.
Que farias se o teu melhor vendedor, programador, jogador, agente, colaborador começasse a chegar atrasado a entrar no trabalho, ou a reuniões ou a qualquer outro evento onde é suposto todos estarem na hora designada?
Se apertares com ele, podes criar atrito, e será que queres criar atrito com o teu melhor subalterno? Mas se não o fizeres estás a passar a mensagem errada ao restante grupo… Como vai ser?
E se for ao contrário, se for um superior teu a dizer ou agir de uma forma que é imprópria e incorrecta, vais deixar passar? ficar calado? Lembra-te que podes não ser o líder com o posto maior na sala, mas continuas um líder, continuas a ter de te liderar a ti mesmo.

Justiça é o equilíbrio da balança e sem esse equilíbrio não consegues caminhar de forma coerente em direção ao objectivo. Não consegues levar a tua equipa a bom porto se não mantiveres ordem no navio.
É por isso que os navios piratas mudavam de capitão frequentemente, havia motins por tudo e por nada, e fica complicado ficar no comando quando para começar o t sentido de justiça se encontra meio deturpado, pois sendo pirata fazer o que é mais conveniente foi o que os fazia serem piratas!

Não tenhas dúvidas, num grupo de trabalho as regras para um são as regras par todos, não há como ser maleável aqui, não há favoritismo quando há regras a aplicar. Sem o reforço e aplicação dessas regras ninguém terá respeito por ti.
Voltando à questão do teu melhor subalterno tentar contornar ou não respeitar as regras, ele ou ela podem ser óptimos a fazer o que é para fazer, mas ao não cumprir as regras mostram que não estão em controlo do seu ego, pois estão a fazer o que é conveniente, e também mostram que não têm respeito pelo seu líder nem pelos seus companheiros de profissão. Portanto a questão é: Será que são mesmo os melhores da tua equipa? E com esses que queres contar para levar o navio a bom porto? A curto prazo sem dúvida são uma mais valia, mas a longo prazo podem passar a ser as pessoas que irão destruir o grupo.
Trabalha o teu sentido de justiça e equidade, tem firmeza e faz o que é suposto fazer para o bem do grupo, e para os objectivos que foram propostos.

Pensa nos líderes que passaram na tua vida que mais respeitas, que mais te vêm à memória, e sentirás que essas pessoas tinham um forte sentido de justiça, e mesmo que não fosse necessário aplica-lo tu sentes que ele ou ela o fariam rapidamente sem qualquer dúvida.

Eu lembro-me de várias situações em que não podia deixar passar ao lado. São essas que não me arrependo, e sinto que se não fizesse ou nada dissesse aí sim sentir-me-ia arrependido de não o ter feito na devida altura.

A mais recente aconteceu o ano passado, enquanto eu trabalhava como vendedor. Tinha-me recentemente mudado de loja pois a empresa precisava de bons vendedores no novo espaço que tinha aberto. Enquanto vendedor provavelmente tens objectivos, quotas ou números que tens de apresentar no fim do mês. Enquanto vendedor também tens de proteger a tua energia, pois precisas de estar como novo para cada venda que fazes, não podes deixar a tua má ou inexistente venda anterior pairar durante muito tempo na tua mente pois outro cliente está a aparecer e merece a tua melhor energia para efectuares uma boa venda.
A gerente deste novo espaço tinha a reputação de utilizar mais a autoridade e a chantagem do que líderar de uma forma eficaz e justa.
Um determinado dia, o movimento esteve mais fraco que o habitual, e quando digo mais fraco digo sem problema que foi dos piores dias que qualquer vendedor podia apanhar, se talvez apareceram 10 clientes foi muito, foi um dia bastante atípico. E nesse dia menos atípico essa gerente não esteve presente, mas esteve presente no dia seguinte, e decidiu não perguntar o que se passou, e nem parou para pensar que algo fora do normal podia ter acontecido, portanto o seu sentido de justiça estava totalmente off.
Respeitando a sua reputação iniciou de uma forma desagradável a abordagem ao tema dos fracos números apresentados pelos vendedores no dia atípico anterior.
Á medida que a situação se desencadeava eu senti que os meus colegas não estavam a ter a comunicação e tratamento devido, e quando algo foi dito a um determinado colega que era conhecido por ser dos mais trabalhadores e focados e decidi dizer algo. Sabia que me podia custar o trabalho (seria extremo mas pode acontecer), sabia que provavelmente criaria atrito na minha relação com essa gerente, mas o líder em mim estava disposto a isso.
Pois o líder em mim vai comigo para onde eu for, e aquele trabalho não.
E assim o fiz, houve uma troca de ideias, e no fim eu disse que esperaria os meus colegas sair pois assim falaríamos mais à vontade não fazendo perder o tempo dos restantes colegas.
Atenção! Ter sentido de justiça não nos dá direito de negligenciarmos a comunicação, qualquer que seja a situação, um líder deve sempre comunicar e expressar-se como tal, com respeito, dignidade, empatia e educação para com o receptor. Comunicação será um outro post importante que irei escrever brevemente, pois sem comunicação apropriada não existe liderança.

Fui fiel e justo para com as minhas crenças, e depois de um momento mais tenso nessa manhã, eu continuei forte, e de cabeça erguida pois fui integro, não procurava nenhuma aprovação especial nem validação de ninguém. E algo interessante aconteceu, a restante equipa de trabalho criou empatia e um sentimento de respeito e admiração para comigo.

E tu, o que te custou não teres um sentido de justiça mais apurado? Custou um pouco mais de ti? Perdeste um pouco do teu espiríto? Perdeste pessoas na tua equipa e não entendes porquê? Que situação de arrependes de ter feito diferente no teu trabalho ou no teu dia a dia se tivesses sido mais justo?
Justo para contigo, para com os outros, para com a tua equipa e para com os teus ideais.

“Aquele que hesita está perdido”

Cato


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